Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direção. Você muda de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás.
Então você volta a mudar de direção, mas a tempestade te persegue, seguindo no seu encalço.
Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer.
Porquê?
Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada a ver contigo.
Esta tempestade é você.
Algo que está dentro de ti.
Por isso, só te resta se deixar levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra.
Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido.
Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu.
É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
E quando a tempestade tiver passado, mal se lembrará de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver.
Nem sequer terá a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim.
Mas uma coisa é certa.
Quando sair da tempestade já não serei a mesma pessoa.